A natureza inteira vira matéria-prima. Fotografo o que costuma passar despercebido: a espiral de uma concha, a geometria de uma suculenta, a casca rugosa de uma árvore, a semente, o fruto. Cada elemento carrega uma estrutura própria, uma assinatura de forma, padrão e textura que só se revela de perto. É o que mais me move na macrofotografia, a capacidade de ampliar o que o olho ignora e mostrar a engenharia silenciosa que existe em cada pedaço de mundo natural. Tudo registrado com luz controlada e elementos reais, sem manipulação digital. Sou, no fim, um retratista da matéria, alguém que busca captar, no íntimo, a beleza que a natureza nem sempre deixa ver a olho nu.